
Hoje venho contar-te uma história, talvez real... mais real do que seria suposto encontrar. Havia um jovem (assim deve começar qualquer história), que durante uma semana foi adiando tratar de um assunto pessoal, deixou correr... ainda que sentindo a situação agravar-se. Inicialmente, era algo muito simples, e em qualquer fase do processo a resposta estava ao seu próprio alcance. Mas, só quando percebeu que era melhor actuar, procurou ajuda... teve-a na totalidade e, no final, nem um "obrigada"...
Enfim, isto fez-me pensar numa sociedade que educa as pessoas para a exigência dos seus próprios direitos. Procura-se. Reclama-se. Reinvindica-se. Vive-se em função do próprio eu, usa-se o tu para satisfazer as necessidades e interesses próprios. Por isso, nem nos apercebemos de gestos pequenos, familiares, dádivas, ofertas que recebemos... num sorriso, numa atenção, numa palavra... Camufladamente, assim se cultiva a insatisfação, o isolamento, o sem sentido!!...
Onde ficou a sensibilidade perante o bom, o belo, o bem que recebemos? Acreditamos no valor da gratidão e da gratuidade? Como podemos recuperá-los?
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